

Sem TÃtulo, 2004
Técnica mista
120×20x20cm
INSIDE OUT
É apresentado um conjunto de esculturas com dimensões variáveis revestidas a espelho.
Nestas obras procuro aprofundar reflexões sobre a condição humana, nomeadamente, sobre a memória e a identidade.    Â
          A superfÃcie exterior das esculturas reflecte a imagem do observador, parcela de identidade, que depois se confronta com o interior sufocante, claustrofóbico, caótico, (que dá prioridade ao emocional) prolongado até ao infinito através de um sistema de espelhos paralelo.          Â
De formas rÃgidas, predefinidas na forma, não intervencionadas, parto para interiores orgânicos, que crescem envolvendo-nos. Da utilização de contrários, dentro/fora, rÃgido/orgânico, pré-fabricado/construÃdo, vazio/preenchido, espelhado/colorido, propulsiono a vertigem da emoção desencadeada pelos processos mnésicos individuais e únicos, que se perdem com o desaparecimento do seu depositário.           Â
          A intensidade emocional destas esculturas remete-nos para o interior de nós próprios, testemunhando a nossa própria existência. São metáforas da nossa interioridade. Cada objecto condensa a possibilidade de múltiplas associações nos confins das memórias evocadas no observador.Â
           Espaços muitas vezes não partilhados, escondidos, auto censurados. Â
          Das múltiplas formas coloridas, orgânicas, internas, destaca-se um sabor de infância. Procuro recuperar traços imperceptÃveis de memórias fugitivas. Procuro captar instantes fugazes.
          Interessa-me o impalpável, o subtil, o volátil, procuro dar voz a silêncios internos. Procuro oferecer emoções, sensações, reencontros.
          Os objectos escolhidos, representam a passagem do tempo e a transitoriedade da memória.Â
          Transmutam-se em esculturas/ objectos que são metáfora de presenças, e simultaneamente de ausências, ensaios de memória e de saudade, com pele de espelho.
Associações privadas desencadeiam turbulências emocionais no observador, cujo voyerismo se estimula.
Trata-se de uma via para entrar nos processos psÃquicos internos, através da auto-estrada das emoções. Isto pressupõe uma possibilidade de identificação dos observadores, num processo livre de associação e descodificação individual.
A fragmentação poderá assumir assim um simbolismo psicodinâmico no processo de trabalho. Representa simbolicamente a fragmentação da memória, mas é também uma tentativa de mais intimamente se poder elaborar uma nova sÃntese. Da acumulação desmesurada surge uma nova existência, carregada de carga emocional.
          A pele exterior destas esculturas, ensaios de memória - INSIDE OUT, pouco ou nada revela das confrontações identitárias com o passado, que se constituÃram em arqueologia de memórias. As sensações poderão ser de estar protegido ou desprotegido.
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